As nuvens... é como se me tivessem tirado a vida. Cobriram a luz e não me deixam seguir caminho. É como se tivesse ficado cego, porém esta cegueira é diferente. Chama-se cegueira psicológica. No entanto, continuo fechado no mundo, imundo. Face sem expressão... Alguém foi derrotado. Alguém cortou as asas de um sonhador. Caiu tão brutalmente no chão e a partir de hoje, terá que encarar o mundo, a dura e fria realidade. Ver o mundo a preto e branco, sem sentidos e vazio. Segue-se a chuva intensa. Não pára. Cai sobre meu gesto gélido de carência. De olhos saturados a minha alma olha para o oco do chão. Só resta areia infinita a tentar engolir-me e a afogar-me em mágoa pesada. E, ainda a caminhar, cada suspiro que dou torna-se doloroso. Cada lágrima que derrama na minha delicada face corrói todos os sonhos presentes no meu olhar. Estes sonhos perdem-se como as estrelas desta noite. Não se vêem. Não há luminosidade suficiente para derrotar tanta escuridão que as nuvens provocam. As mãos estão tão ásperas de trabalho feito para nada... O coração começa a parar de bater. Começa a ficar intacto. Estático. Sem reacção.
O mal aproxima-se, começa a acompanhar-me para onde vou. A dor torna-se insuportável! Tento continuar caminhar nas ruas, nestas tristes ruas...mas ganhei medo, ganhei medo ao silêncio que vagueia nestas deprimentes ruas. Este silêncio matador corta a respiração a respiração a almas barulhentas. O mundo perdeu o seu nexo. O medo de morrer já não é tanto. Para quê viver num mundo de dementes? Ver isto é levantar mais a vontade de falecer.
Entretanto começaram a chover facas que cortaram o meu coração aos pedaços, as últimas lágrimas que escorreram sobre meu gesto foram de sangue; foram lágrimas ácidas. Destruidor de vida. De respiração ofegante e tensa se encontra a minha alma que não tarda jaz no frio do chão e na podridão que circula no ar. Afinal nunca deixei de ser sonhador, concretizei o maior sonho de todos. Pobre alma que não agarrou na tinta para pintar a sua vida e morrer de pincel na mão.

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